19 de maio de 2020 08:43

Renan Filho afirma que a queda da receita estadual foi de 30% em maio

Autor: Luis Vilar

Na manhã de ontem, durante a entrega de uma Central de Triagem, o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), destacou – pela primeira vez – o que já havia sido abordado pelo secretário estadual da Fazenda, George Santoro: os reflexos dos decretos governamentais para conter a pandemia do coronavírus em Alagoas estão causando dificuldades extremas para fechar as contas públicas, em função da queda de arrecadação.

Renan Filho – entretanto – resolveu jogar toda a culpa na pandemia e segue defendendo as restrições impostas pelo decreto, sem anunciar uma possibilidade de maior flexibilização da atividade econômica no próximos dias, já que o decreto em vigência seguirá válido até o dia 20 de maio. Em recente entrevista, o emedebista disse que até avalia endurecer ainda mais as medidas, mas que essas medidas não são tomadas apenas por ele, mas com base no que ouve dos médicos e de técnicos da pasta da Secretaria de Saúde.

Arrecadação

Segundo o próprio governador, a queda na receita estadual – no mês de maio – será de 30%, o que vai se somar a quedas já registradas nos meses de março e abril. Com as sucessivas perdas, Alagoas terá dificuldades – caso assim continue – para conseguir pagar fornecedores e até mesmo o funcionalismo público. Santoro, em entrevista passada – que foi repercutida pelo Jornal das Alagoas – já frisava que o governo estava fazendo de tudo para manter as contas em dia.

A situação dos estados brasileiros só não será pior em função do socorro do governo federal, que tem destinado verbas para a Saúde e deve recompor receitas com base em projeto aprovado no Congresso Nacional. Em todo caso, a paralisação das atividades econômicas tem trazido reflexos não apenas para a máquina estatal. Alagoas acumula o quarto pior resultado nos empregos entre jovens, há um desemprego em massa no setor do comércio, como já destacou a Aliança Comercial, além de perdas semanais que beiram a R$ 740 milhões.

Renan Filho aposta, para não enfrentar um grave colapso nas contas estatais, na recomposição anunciada pelo governo federal. “Nós já temos queda real, a receita caiu em março, abril e vai cair em maio. Estimamos que a receita caia em 30% e a recomposição do governo federal seja de 70%”, comentou ele.

Rede de saúde

O governador destacou que ainda enfrenta também um possível colapso na rede de Saúde, diante do aumento do número de casos de infectados com o novo coronavírus, mesmo diante do isolamento social e os decretos. Segundo o emedebista, se a curva de contágio persistir em crescimento, ele vai endurecer ainda mais as medidas de quarentena. O governo estadual não descarta – por exemplo – a possibilidade de lockdown.

De acordo com o chefe do Executivo estadual, mesmo com a entrega de mais de 800 leitos, o número pode não ser suficiente para atender a todos. Na avaliação de Renan Filho, quanto mais rígido for o isolamento social, menor é o risco da rede hospitalar colapsar.

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