28 de junho de 2020 13:02

Alagoas tem o menor índice de taxa de ocupação de trabalho do país

Autor: Redação

Infelizmente, Alagoas amarga mais um terrível dado no cenário econômico que se complica ainda mais em função da pandemia do novo coronavírus. Diante das medidas restritivas que são adotadas para tentar conter a curva de contágio, evitar o colapso hospitalar e reduzir o número de óbitos, os efeitos colaterais têm sido – como mostrou o recente estudo da PNAD – o aumento no desemprego e nas falências de empresas no Estado.

O fato é que os próximos prefeitos e o governo do Estado de Alagoas lidarão, nos próximos anos, com um “caos social” provocado pela pandemia que exigirá esforços conjuntos, pois não bastará apenas a reabertura econômica, mas sim uma verdadeira retomada de crescimento, já que até mesmo as receitas de prefeituras e do Executivo estadual estão em queda, o que pode comprometer serviços, os reajustes e salários do funcionalismo público, além do pagamento dos fornecedores.

Essa é uma realidade a ser enfrentada por todo o país. No entanto, em Alagoas, a situação se agrava quando levado em conta os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). De acordo com esse levantamento, que foi repercutido pela Agência Tatu, são mais 2 milhões e 600 mil alagoanos em idade de trabalhar. Ou seja: que possuem 14 anos ou mais. O alarmante é que desses, apenas 37,27% possuía alguma ocupação durante o mês de maio, o que representa 969 mil pessoas.

Com isso, Alagoas é – proporcionalmente – o estado com o menor índice de empregados do país, sendo seguido apenas pelos estados do Piauí e Maranhão. Os dados constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-Covid-19), que é realizada pelo IBGE e foi divulgada na quarta-feira passada. Na edição passada, o Jornal das Alagoas trouxe alguns desses dados, mas é impressionante quando se detalha os números.

Primeiro trimestre

No primeiro trimestre – entre abril e junho de 2019 – o índice de ocupação das pessoas que tinham idade para o trabalho, no Estado de Alagoas, era de 39,6%. Quando comparado a esse ano, é possível constatar uma redução de 1,33%. Em outras palavras, o aumento do desemprego. Esse índice ainda se choca com outro que torna a realidade mais complexa: a taxa de desocupação, que faz referência as pessoas que buscam trabalho, mas não o encontram. Houve uma redução nesse número, mas ainda assim é considerado alto quando comparado ao restante do país.

No ano passado, a taxa de desocupação em Alagoas era de 14,6%. Esse ano, o índice está em 12,73%. Esse dado representa a quantidade da população considerada ativa no Estado, mas que se encontra desempregada. É válido observar que dentro desse índice ainda estão pessoas que estão fora da força de trabalho por outros motivos que não necessariamente a busca por emprego sem encontrá-lo. Afinal, o IBGE considera que há as donas de casa, estudantes e até mesmo aposentados em idade ativa, por exemplo. Porém, também há aqueles que simplesmente desistiram de buscar emprego pela ausência de perspectiva.

Números: 31,7% da população do Estado não tem uma ocupação

D e qualquer forma, Em Alagoas, essa porcentagem representa mais de 680 mil alagoanos que se somam a 141 mil desocupados. É uma fatia de 31,67% da população que não tem ocupação. Diante desses números, é compreensível a apreensão por parte da população diante do isolamento social e a expectativa pela retomada da economia o quanto antes, ainda que dentro de medidas rígidas de controle sanitário.

Visando essa retomada, o governo do Estado de Alagoas criou um Grupo de Estudo que dividiu o retorno dos ramos do setor produtivo em etapas, sendo as primeiras as que não geram aglomerações e estarão entre os serviços mais essenciais, como já ocorre agora na considerada fase vermelha e – na sequência – gradativamente irá se reabrindo primeiro as lojas de rua com menos de 400 metros quadrados, depois os estabelecimentos maiores até se chegar nas galerias e shoppings centers.

As fases também trazem evoluções em relação ao Turismo. A última fase será a reabertura para atividades que geram aglomerações por suas naturezas comerciais, como por exemplo, eventos e escolas da rede pública e privada. Apesar do plano está posto, ainda não há data para o seu início.

Reabertura

O setor produtivo, como demonstram as posições oficiais da Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo de Alagoas (Fecomércio/AL), destaca a necessidade dessa reabertura o quanto antes. Havia uma expectativa para que a flexibilização se iniciasse no dia 22 de junho, mas o isolamento foi prolongado para o dia 30. Agora, a perspectiva é que no próximo mês, o Estado já possa avançar em uma primeira etapa.

Todavia, conforme o governador Renan Filho (MDB), esses passos dependerão de eixos de avaliação dos números do coronavírus em Alagoas, levando em consideração a taxa de ocupação, o número de óbitos e a curva de contágio. Em relação, a ocupação hospitalar, o governo ainda trabalha para a reabertura de mais leitos, como é o caso da abertura do Hospital Regional do Norte, que abrirá 50 vagas, uma vez que foi identificado – de acordo com o secretário de Saúde, Alexandre Ayres – um crescimento no número de casos no interior.

Setor produtivo

Para evitar mais perdas de postos de trabalho, agravando o número mostrado pelo IBGE, o setor produtivo tem afirmado que possui as condições para seguir, desde já, o protocolo Sanitário de Distanciamento Social Controlado. O presidente da Fecomércio, Gilton Lima, destacou que “tudo o que o empresário deseja, nesse momento, é reabrir suas portas. Então, acredito que não haverá dificuldades em seguir os protocolos”. Segundo ele, o comércio se encontra pronto para a reabertura.

A Fecomércio apresentou 11 propostas, das quais nove foram aprovadas para integrar o texto do protocolo. “O protocolo foi amplamente discutido entre o governo e os setores produtivos, resultando nestes critérios para o retorno gradativo e seguro das atividades do comércio e demais setores econômicos”, observa Andressa Targino, assessora técnica da Federação.

Seguindo as informações e orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho OIT, para prevenção do COVID-19, a reabertura gradual do setor produtivo em Alagoas deverá observar algumas recomendações gerais, como o uso obrigatório de máscaras para todos os prestadores de serviços, visitantes, usuários e clientes; a disponibilização ininterrupta de álcool gel 70% (setenta por cento) em locais fixos de fácil visualização e acesso; o distanciamento mínimo de 2m (dois metros) entre as estações de trabalho, medida válida para todos os segmentos; a sinalização das filas com marcadores de piso (adesivos) respeitando a distância mínima de 1,5m (um metro e meio) entre clientes; inclusão de placa sinalizadora com a capacidade máxima permitida, em número de pessoas, do estabelecimento, de acordo com o alvará de funcionamento dos bombeiros; oferecer o serviço “drive thru” e “Pegue e Leve” no qual o lojista entrega as compras ao consumidor diretamente no carro ou na porta do estabelecimento; entre outras medidas.

Mas há também recomendações específicas por setor. Para as lojas e estabelecimentos de rua, fica proibido o uso de provadores. Nos shoppings, galerias, centros comerciais e similares, além dessa vedação, devem reduzir em 50% (cinquenta por cento) as vagas de estacionamento nas faixas de orla, lojas, supermercados e estabelecimentos congêneres, que devem ser utilizadas de forma intercalada; suspender o serviço de valet para evitar o contato direto de pessoas; instalar sistema de controle de fluxo de pessoas para garantir a capacidade máxima permitida; não promover evento de reabertura do shopping, eventos não estão permitidos; divulgar cartilhas entre lojistas com orientações para que implementem distanciamento social dentro dos estabelecimentos; desativar e isolar áreas destinadas às crianças, bem como as salas de cinema, entre outras medidas.

 

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