29 de julho de 2020 08:43

MDB e Democratas saem do Centrão e podem enfraquecer planos de Arthur Lira

Autor: Luis Vilar

A saída dos partidos MDB e Democratas do bloco conhecido como Centrão, da Câmara dos Deputados, pode mudar a correlação de forças políticas em Brasília e dificultar ainda mais a vida do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dentro do Congresso Nacional. Os membros dessas legendas buscam maior autonomia para as votações e se mobilizam para evitar concentração de forças políticas nas mãos de poucos (ou até mesmo de um único) deputados.

O primeiro a ser atingido é o deputado federal alagoano Arthur Lira (PP), que era tido como um dos principais líderes do Centrão. Por conta disso, Lira havia estreitado as relações com o presidente da República e iniciado um processo de negociação de cargos e apoio político. O pepista visa disputar a presidência da Câmara dos Deputados, tornando-se o sucessor do atual presidente Rodrigo Maia (Democratas).

Porém, do outro lado, Maia também trabalha para fazer seu sucessor e quer um nome que saia de dentro do Democratas ou do MDB. O Centrão, antes do rompimento, era um bloco que reunia 221 parlamentares dentro da Câmara dos Deputados. Uma imensa quantidade de votos para a aprovação de projetos considerados importantes pelo Executivo, como por exemplo, a Reforma Tributária apresentada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Guedes até brigava, junto com o Executivo, para que a reforma andasse na Câmara dos Deputados em regime de urgência. Com a saída de MDB e Democratas, fica mais difícil para que isso ocorra. Agora, o presidente Jair Bolsonaro terá mais trabalho no processo de articulação para angariar votos, já que atualmente o Centrão contabilizaria 158 parlamentares.

O número ainda pode ser reduzido, já que membros do PSL pensam em deixar o bloco. O PTB também pode optar pela saída, mas a sigla é comandada por um dos mais importantes aliados de Bolsonaro nesse momento, o ex-deputado federal Roberto Jefferson.

ARTHUR LIRA

Para Arthur Lira, o primeiro impacto é a possibilidade de não conseguir se tornar o futuro presidente da Casa. Caso ele enfraqueça na liderança, pode até mesmo ser abandonado pelo Executivo. Nos bastidores, alguns deputados federais dizem que o rompimento se deu por conta da quantidade de poder que estava concentrada nas mãos de Arthur Lira.

Além do apoio em Brasília, Lira – diante do estreitamento de relações com o presidente – já tinha fechado acordo para que Bolsonaro apoiasse, na disputa pela Prefeitura de Maceió, o deputado estadual Davi Davino, que é pré-candidato a prefeito pelo PP de Arthur Lira. Se nos bastidores se fala das perdas de espaço por parte do alagoano, oficialmente o discurso – tanto de um lado quanto de outro – é diferente.

O deputado federal paraibano Efraim Filho (Democratas) diz que os deputados buscam uma “carreira autônoma” dentro do parlamento e que a discussão em relação à sucessão presidencial não foi a causa do afastamento, mas sim um “efeito colateral”.

Arthur Lira, por sua vez, nega que exista um bloco comandado por ele. Ele diz que o Centrão se formou por conta da ocupação dos espaços nas comissões e em função do orçamento e que – por essas razões – já deveria até ter sido desfeito, mas prosseguiu a aliança em função da pandemia.

Lira afirma que a saída do Democratas e do MDB é até algo natural. O fato é que agora a Câmara dos Deputados pode se tornar um ambiente mais difícil para Bolsonaro, já que o surgimento de blocos menores vai requerer mais articulação para a aprovação de pautas consideradas importantes, como os projetos do ministro Paulo Guedes.

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