6 de setembro de 2020 11:43

Visando se impor, Rodrigo Cunha entra
em rota de colisão com líderes tucanos

Autor: Redação

O clima não é bom dentro do PSDB de Alagoas. Ao traçar os projetos para além dessas eleições e já pensando na disputa pelo governo de Alagoas, em 2022, o senador Rodrigo Cunha (PSDB) tem interferido diretamente nos diretórios municipais da legenda, comandando a sigla com “mão de ferro”.

Quem faz essa acusação são diversos tucanos insatisfeitos com os rumos do partido. Dentre esses membros do PSDB, está a presidente do diretório de Maceió, a deputada federal Tereza Nelma. A briga, que se torna explícita agora, é antiga e se iniciou quando o prefeito de Maceió, Rui Palmeira, ainda fazia parte do ninho tucano. Rodrigo Cunha havia fechado uma aliança política com o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

De acordo com as informações de bastidores, o senador apoiaria Caldas para a Prefeitura de Maceió. Em troca, em 2022, se eleito, JCH passaria a apoiar Cunha para o governo de Alagoas, já que ele pode disputar o Executivo estadual sem correr o risco de perder o mandato em Brasília (DF).

O problema é que Rui Palmeira não aceitou a aliança com JHC. Palmeira classifica o deputado federal como um “inimigo político”. Resultado: esse foi o primeiro embate de Cunha dentro da legenda. O prefeito de Maceió brigou para que “ninho tucano” tivesse candidato próprio. Não conseguindo, acabou saindo do PSDB. No primeiro round a vitória foi de Cunha.

VICE

Tudo parecia resolvido, Cunha prometeu a JHC a aliança para a construção da chapa na disputa pela Prefeitura de Maceió. Porém, o senador não contava com uma outra rival dentro da legenda: a deputada federal Tereza Nelma. A parlamentar avalia que, diante da composição, o PSDB tem peso para indicar o vice. Nelma quer que seja uma mulher. O nome escolhido pelo partido é o de Adriana Toledo. Porém, JHC – ainda segundo bastidores – não aceita entregar a vice-candidatura para o PSDB. Como já há o acordo com Cunha, o espaço poderia ser usado para atrair outra legenda, como por exemplo, o Democratas ou o PSD.

Além disso, em caso de vitória de JHC, os tucanos ganhariam um mandato na Câmara dos Deputados, já que o suplente é o ex-deputado federal Pedro Vilela. A posição de JHC não agradou o tucanato, mas Cunha – de olho em 2022 – não aceitou a “rebelião tucana” em Maceió, que ameaçou até mesmo lançar uma candidatura majoritária. Sem conseguir indicar o vice da chapa com o PSB, Tereza Nelma resolveu lavar a roupa suja em público depois que Rodrigo Cunha “atropelou” a convenção municipal do PSDB na capital alagoana. Tereza Nelma diz que foi surpreendida com a decisão do senador ao receber um e-mail. Rodrigo Cunha – na qualidade de presidente estadual da legenda – resolveu cancelar as convenções municipais.

“A decisão isolada do senador, baseado somente em parecer jurídico, sem abrir prazo para explicações, muito menos apresentação de eventual defesa, concluiu pelo cancelamento. Portanto, é um ato unilateral do presidente, sem decisão da Comissão Executiva ou do Diretório Estadual”, diz Nelma. A parlamentar classificou o ato de Rodrigo Cunha como autoritário e o acusou até de machismo, por não querer uma mulher como vice na chapa.

O fato é que o senador alagoano é o único tucano que quer a aliança com JHC – conforme bastidores. Tereza Nelma havia engolido a chapa com a possibilidade da indicação de vice, mas as demais lideranças do PSDB com mandato não apoiarão JHC. A deputada Cibele Moura, por exemplo, vai apoiar o pré- -candidato e deputado estadual Davi Davino (PP). O mesmo ocorre com o deputado estadual Davi Ronalsa, que também apoiará Davino.

REFLEXO

A briga interna tem reflexo na candidatura de JHC. O deputado federal pode até levar o PSDB, mas não terá ao seu lado o apoio dos líderes da legenda, sendo apenas uma aliança formal, que refletirá em tempo de televisão. Seu único aliado é o senador Rodrigo Cunha e não o partido. João Henrique Caldas – por sinal – tem tido dificuldades de montar uma chapa e pode ficar cada vez mais isolado no pleito. No Democratas, há uma divisão em relação a quem apoiar.

O deputado estadual Davi Maia quer que a agremiação declare apoio a JHC, mas há uma ala do partido que vota pela aliança com Davi Davino e outra que defende a possibilidade de fechar acordo com o ex-procurador do Ministério Público Estadual, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB). O PSD – ainda segundo bastidores – praticamente descartou a possibilidade de aliança com JHC.

O partido deve migrar para Alfredo Gaspar de Mendonça. Uma minoria dentro da legenda ainda defende o acordo com Davi Davino. O fato é que o deputado federal João Henrique Caldas está cada vez mais isolado no pleito e Rodrigo Cunha – seu principal aliado – não tem conseguido articular em prol do parlamentar.

ARAPIRACA

O senador tucano também pode acabar desagradando o partido em Arapiraca. Por lá, o PSDB é presidido por Moacir Teófilo, que é filho do ex-prefeito Rogério Teófilo, que faleceu recentemente. Rodrigo Cunha tem se aproximado – por conta dos diálogos com o deputado federal Severino Pessoa (PRB) – da atual prefeita Fabiana Pessoa (PRB) e assim apoiá-la na busca pela reeleição. Porém, Teófilo e Pessoa são rivais políticos. Só resta a Rodrigo Cunha desautorizar um outro importante diretório municipal dos tucanos: o de Arapiraca. Assim, o senador trata – com “mão de ferro” – as eleições nas duas principais cidades de Alagoas.

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