11 de setembro de 2020 08:52

NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2020, ALAGOAS PERDEU 27 MIL POSTOS DE TRABALHO

De acordo com economista, cenário só não foi pior por conta de MP de Bolsonaro que possibilitou salvar 49% dos empregos por meio de acordos

No primeiro semestre desse ano, conforme dados divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Alagoas (Fecomércio/AL), o Estado perdeu mais de 27 mil postos de trabalho por conta da pandemia do coronavírus. Um dado comemorado é que o saldo entre as empresas que abriram e fecharam nesse período é positivo, o que representa que há mais empreendimentos no setor produtivo local.

Porém, ainda há uma dificuldade para a recuperação econômica e a geração de emprego e renda, o que será o principal desafio do pós-pandemia. A situação em muitos estados – incluindo Alagoas – só não foi pior porque a Medida Provisória 936, do governo federal, ajudou a preservar postos de trabalho por meio dos acordos de redução de carga horária ou suspensão de contratos.

A maior parte dos postos de trabalho fechados – ainda na avaliação dos especialistas da Fecomércio – se deve às medidas restritivas que foram adotadas no combate ao contágio do coronavírus em todo o país. Para se ter ideia, em todo o Brasil foram extintos 209.735 empreendimentos no primeiro semestre. Em relação ao Estado de Alagoas, foram 1.374 empresas fechadas.

De acordo com o economista Felippe Rocha, a situação só não foi pior por conta do Benefício Emergencial, vinculado à Medida Provisória de número 936 do governo federal, que permitiu a suspensão e a redução da carga horária de trabalho. Segundo ele, essa ação permitiu que as empresas conseguissem salvar empregos.

Em janeiro desse ano, Alagoas tinha 353.471 vagas de emprego e em julho passou a ter pouco mais de 327 mil. Por meio do Benefício foram realizados mais de 161 mil acordos, o que representa 49,7% dos empregos do Estado. “Nesse contexto, o benefício ajudou a preservar quase a metade dos empregos existentes em Alagoas”, pontou Rocha.

SALDO

Por conta de muitas medidas adotadas para tentar recuperar a economia mesmo diante das consequências oriundas da pandemia do novo coronavírus, houve um saldo positivo, pois 665.866 empresas foram abertas no país esse ano. Em Alagoas, houve a abertura de 5.478 empreendimentos, o que representa uma diferença positiva – em relação aos que foram fechados – de pouco mais de 4 mil empresas. “Claro que a extinção de empresas é bastante danosa para a economia, pois traz o desemprego e a perda de renda dos empreendedores”, argumenta Felippe Rocha.

Descontando-se a Indústria de Transformação, pois o primeiro semestre é sempre marcado pelo desemprego em massa neste setor devido à entressafra da cana de açúcar, foram perdidos 3.330 postos de trabalho no Comércio, 3.715 em Serviços, e 650 na Agropecuária, totalizando 7.026 vagas fechadas.

A conta aumenta consideravelmente quando se soma a estas perdas os 20.488 postos de trabalho encerrados na Indústria de Transformação. Ou seja: no primeiro semestre Alagoas perdeu 27.514 vagas no mercado de trabalho nestes setores. Destaque apenas para a Construção Civil, que contratou 669 pessoas no mesmo período.

O presidente da Fecomércio, Gilton Lima, acredita que os setores encontrarão alternativas para retomarem estes postos de trabalho. “Estamos num ano atípico. Ainda enfrentamos a pandemia do coronavírus e suas consequências na economia. Percebemos que este é um momento para as empresas se reinventarem e muitas estão conseguindo encontrar soluções para sobreviverem a esta realidade. O auxílio do governo trouxe ajuda nesse sentido”, diz Lima.

BENEFÍCIO

Dos mais de 161 mil acordos o Benefício Emergencial (BEm) em Alagoas, 73.101 (45,3%) foram suspensos; 49.869 (30,9%) tiveram a carga horária de trabalho reduzida em 70%; 25.671 (15,9%) tiveram redução de 50% da jornada; e 11.507 (7,13%) reduziram a jornada em 25%.

“Não apenas o BEm serviu para manutenção dos postos de trabalho, mas o Auxílio Emergencial serviu para tirar da pobreza, mesmo que temporariamente, 1 milhão e 200 mil pessoas, apenas em nosso estado, número superior a quantidade de empregos formais existentes em nossa região”, observa o economista.

Isto porque os dados do governo federal apontam que, somente em Maceió, 325 mil pessoas receberam auxílio de abril a julho, fazendo circular a quantia de R$ 591; 25,32% do total injetado em Alagoas. E por falar em Estado, o volume já supera R$ 2,334 bilhões. “Além de retirar temporariamente muitos da pobreza, o valor do Auxílio Emergencial serviu para manter os níveis de consumo, pelo menos em alguns segmentos, tais como alimentação, farmácias e material de construção”, ressalta.

Na análise do assessor econômico da Fecomércio, os indicadores são bons, mas mostram uma triste realidade do nosso Estado: a pobreza e a falta de dinamismo econômico da região. Isto porque o valor distribuído na capital representa 2,81% do PIB e o número de beneficiados (325 mil) é 1,7 vezes superior ao número de empregados formais na capital (190 mil). Em relação ao estado de Alagoas, o volume do auxílio representa 4,41% do PIB e a quantidade de auxiliados é 3,66 vezes superior ao estoque de empregados formais na divulgação de julho. “O término do Auxílio Emergencial podem trazer profundas incertezas no consumo e no crescimento de Alagoas e do Brasil devido à ressaca provocada pela falta de renda. A sinalização do governo em aperfeiçoar o Programa Bolsa Família, ampliando o número de pessoas que poderão receber o benefício, será fator decisivo para o ano que vem”, pondera.

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