15 de setembro de 2020 17:00

Níveis de endividamento de maceioenses recuaram pela primeira vez neste ano

O recuo foi de 9,48%. A mesma tendência foi constatada em relação ao número de inadimplentes, que teve uma queda de 7%, saindo de 53 mil para 50 mil pessoas.

Porém, ainda reflexo do ano atípico diante da situação de pandemia, o consumidor ainda se encontra mais endividado do que no ano passado. O aumento é de 11,67%. Porém, a inadimplência está menor, com 10,51% menos. Comparado a média nacional, os maceioenses estão 3,1% mais endividados do que nas outras capitais, 0,9% das pessoas estão com mais contas atrasadas e 4,5% estão mais inadimplentes, quanto também os números são comparados com as demais capitais do país.

O assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Estado de Alagoas (Fecomércio AL), Felippe Rocha, diz que para compreender a redução do endividamento na variação mensal, é preciso analisar a empregabilidade no período. Isso porque nos dois meses anteriores a agosto houve saldo positivo na geração de postos de trabalho em Alagoas, sendo criados 807 empregos em junho. Vale lembrar que o saldo considera a diferença entre o número de admissões e demissões.

EMPREGABILIDADE

Os setores que mais empregou em junho foi o sucroalcooleiro, com 647 postos, e a Agropecuária, com 638. Os que mais perderam postos foram Construção (-185) e Serviços (-321). Já em julho foram criados 1.571 empregos, destacando- -se novamente a Agropecuária (951) e a recuperação do setor de Construção, que gerou 356 no período.

A perda de postos de trabalho ficou restrita apenas ao setor de Serviços, com 110 empregos a menos. Em Maceió, o mesmo não vem ocorrendo, pois nos dois meses anteriores a agosto foram perdidos postos de trabalho: 377, em junho, e 652, em julho. “Como não houve melhora na renda do trabalho, a explicação para redução do endividamento geral, das contas em atraso e da inadimplência reside na manutenção do Auxílio Emergencial e a opção pelo saque emergencial do FGTS, que criou mais uma renda adicional extraordinária para o período, além da contenção de gastos dos consumidores, o que é comum em momentos em que não há perspectiva de renda maior”, avalia Felippe.

Ele destaca que somente em Maceió, de abril a julho, 326 mil pessoas foram beneficiadas com o Auxílio Emergencial e R$ 638 milhões circularam na economia da capital, facilitando a redução do endividamento e da inadimplência. “O saque emergencial começou a ser disponibilizado no final de junho. Essa modalidade também ajudou os maceioenses com renda adicional para reduzir seus níveis de endividamento”, complementa.

De acordo com o levantamento, entre os endividados, 95,1% usaram o cartão de crédito; 18,3% adquiriram bens parcelados no carnê de loja; e 6,7% contraíram empréstimo pessoal. Na pesquisa um mesmo consumidor pode escolher mais de um motivo para estar endividado e, por isso, a somatória estatística não fecha em 100%.

Dentre os 84 mil que estão em situação de atraso de contas, mas estão fazendo o possível para ainda pagá-las, 39,4% informaram que existe mais um membro da família, que reside em sua casa, passando pela mesma situação. Já para 60,6%, esse problema só está sendo vivido por ele/a. Em média, os consumidores demoram 74,4 dias para pagarem contas atrasadas.

Entre os 50 mil inadimplentes, apenas 10,6% terão condições de sair integralmente dessa situação; 16,4% sairão parcialmente, renegociando a dívida; e 59,6% não têm condições de pagar mesmo que uma parte da dívida, permanecendo nessa situação desconfortável. No geral, os cidadãos endividados estão passando, em média, 6,3 meses com dívida e comprometendo 27,9% de sua renda.

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