29 de outubro de 2020 10:14

Estudo mostra que o auxílio emergencial ‘salvou’ economia de AL e outros 21 estados

Um estudo feito pelos economistas Ecio Costa e Marcelo Freire – da Universidade Federal de Pernambuco – mostrou o impacto do auxílio emergencial, que vem sendo pago pelo governo federal, para salvar a economia de vários estados da federação, incluindo os mais pobres, como Alagoas.

Em Alagoas, o recurso – conforme os dados da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) – representou 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e foi o responsável pela manutenção da arrecadação de impostos dos municípios e do Estado, ao aquecer a atividade do consumo, mesmo diante da paralisação de grande parte do setor produtivo.

Antes mesmo da apresentação desse estudo, o secretário da Fazenda, George Santoro, já havia destacado a importância da ação do governo federal para que Alagoas não enfrentasse maiores dificuldades na área econômica. Santoro até frisou que a dificuldade é manter a economia aquecida diante do fim dos auxílios.

Ele ainda ressaltou que, além da ajuda federal, no caso de Alagoas, outro passo importante para atravessar o pior momento da crise foi o ajuste fiscal que o governo estadual já havia feito. Em entrevista ao Jornal das Alagoas, em edições anteriores, o economista Cícero Péricles também chegou a frisar que o auxílio emergencial criou um colchão econômico que garantiu o crescimento da arrecadação e se tornou o motor da retomada econômica, diante do processo da reabertura gradativa.

O estudo dos economistas confirma o que vinha sendo destacado tanto pelo secretário quanto por Péricles. Além de Alagoas, outros 21 estados também acabaram sendo “salvos” pelo benefício que foi pago pelo governo federal. Isso só não ocorre em cinco unidades da federação: São Paulo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, onde os recursos do benefício não compensaram as perdas de rendimentos. De acordo com o estudo, o auxílio emergencial conseguiu superar as perdas de renda familiar justamente nas localidades em que há um maior número de pessoas nos cadastros de programas sociais e, por essa razão, tal ajuda conseguiu ter maior impacto no Nordeste e na região Norte.

No total, o Brasil teve uma perda acumulada de R$ 66,8 bilhões na massa dos rendimentos, que é a soma dos salários de todos os trabalhos realizados pelas pessoas em um determinado prazo. A compensação do auxílio emergencial superou essa perda, pois foi – no geral – de R$ 108,3 bilhões apenas no segundo trimestre de 2020. “Quando comparamos o auxílio com a queda na massa, no valor global ficou 61% acima da perda de renda das famílias”, explica o professor Ecio Costa.

De acordo com o levantamento, na comparação com as nove parcelas programadas do auxílio, é possível verificar que o volume ainda é muito superior às perdas observadas no semestre. Há ainda a tendência de que as quedas na massa de rendimentos sejam revertidas nos terceiro e quarto trimestres, decorrentes da circulação dos recursos nas economias locais.

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