Antenados
27 de setembro de 2021 18:08

Crítica | A menina que matou os pais | O menino que matou meus pais

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Seguindo a duologia complementar, “A Menina que Matou os Pais” nos entrega o ponto de vista de Daniel Cravinhos, que revela seus motivos para participar do assassinato e detalhes do comportamento de Suzane e sua relação com os pais. Depois de assistir o outro lado da história, temos em “A Menina” um retrato mais fidedigno dos fatos comprovados com os depoimentos de outras testemunhas que não foram acrescentados no longa.

Nesse filme, a introdução dos personagens é mais falha, e mesmo mostrando o lado de Daniel, ainda temos uma lacuna no modo linear de contar o seu envolvimento com Suzane. Acredito que a trilha sonora e a montagem funcionem melhor nesse longa, mas é interessante observar como as duas histórias se complementam dentro dos pontos de vistas diferentes. A direção de Mauricio Eça não faz muita coisa, e mesmo sendo competente, não inova em momentos que poderia deixar de lado o tradicionalismo.

A química entre Carla Diaz e Leonardo Bittencourt é ótima, mas aqui a relação entre eles é apresentada de uma forma mais densa e tem camadas mais interessantes. Os dois brilham muito mais nessa versão assim como os intérpretes dos pais de Suzane, Leonardo Medeiros e Vera Zimmermann. Mas, realmente, Carla Diaz é o maior trunfo da produção, mostrando que é uma das atrizes jovens com maior potencial, caso direcionada para papéis e longas corretos.

Depois de ver os dois filmes, concluímos que a ambição do projeto ao lançar longas duplos faz sentido. Retratar essa dicotomia e a complementaridade dos depoimentos, não deixou espaço para que houvesse simpatia entre algum dos lados, mas te instiga a pensar em qual dos dois condenados apresenta mais fragmentos da verdade. Terminamos a experiência com a sensação de que, talvez, poderíamos ter visto filmes muito mais superiores, acho que isso se deve ao fato do roteiro ser baseados apenas nos autos do processo. Mas a duologia não é algo ruim de se assistir. É esperado que após o sucesso desses dois longas, mais produções brasileiras invistam na adaptação de crimes reais, resta torcer que elas aprendam com os erros de A Menina/O Menino.

Talvez o único defeito do filme tenha sido se limitar apenas na construção do relacionamento dos dois assassinos e esquecer o julgamento e até mesmo o terceiro réu, irmão de Daniel, Cristian Cravinhos. Fiquei até o fim do filme esperando o momento em que a resolução do julgamento seria mostrada, como Cristian foi responsável pela confissão do crime que fez a polícia descobrir os verdadeiros assassinos mais a frente, enfim… uma oportunidade desperdiçada.

Os dois filmes se completam e se espelham em diversos momentos, principalmente no começo, no entanto foi em “A Menina que Matou os Pai” que podemos ver todo esplendor de Carla Diaz, saindo de sua zona de conforto, trazendo uma mulher fria, que beira a psicopatia, de uma forma maestral.

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