Nostalgia Esportiva
8 de fevereiro de 2020 16:00

Kubala, o húngaro que fugiu do comunismo para se tornar o maior ídolo do Barcelona

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O Barcelona é – atualmente – um dos clubes de maior popularidade e sucesso em todo o mundo. Graças a Ronaldinho Gaúcho e, principalmente, Lionel Messi, o gigante espanhol é acompanhado diariamente por milhões de torcedores apaixonados pelo futebol arte. O que poucos sabem é que o precursor do futebol bonito da equipe é um húngaro pouco conhecido no Brasil, mas verdadeiramente venerado pelos blaugranas catalães. Seu nome, László Kubala.

O DRIBLE NA GUERRA COMUNISTA

De origem polonesa, mas húngaro de nascimento, Kubala viveu em um período marcado por guerras na Europa Oriental. Vítima da perseguição comunista, precisou driblar os exércitos soviéticos para se dedicar à sua paixão, que era a bola.

Impedido de jogar profissionalmente na Hungria, o craque fugiu para a Espanha. No país, montou uma equipe amadora que reunia somente atletas que – como ele – eram fugitivos do regime comunista. O time logo conseguiu resultados expressivos, como as vitórias sobre o Real Madrid, Espanyol e Seleção Espanhola. Após tamanha façanha, o Barcelona contratou a “joia húngara”, e para que o craque se sentisse em casa, contratou também o seu sogro para ser treinador da equipe.

SUCESSO NA CATALUNHA

Quando chegou, em 1951, Kubala tratou logo de mostrar que o esforço para trazê-lo não foi em vão. Conquistou dois campeonatos espanhóis e o Barça se tornou o maior campeão espanhol, com 6 títulos naquela época. Com seus dribles desconcertantes e jogadas de encher os olhos, o Estádio Les Corts – antiga casa dos Culés – ficava pequena para os fãs da “Kubalamania”. Por conta do imenso sucesso do craque, o número de sócios do clube mais que dobrou e, daí surgiu o lendário Camp Nou, um dos maiores templos do futebol mundial. A construção do estádio foi exclusivamente realizada pelo Barcelona para poder comportar os eufóricos torcedores da equipe que queriam ver Kubala em campo.

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Kubala é ovacionado por torcedores do Barcelona no recém-construído Camp Nou

Com a ditadura militar espanhola, o povo catalão começou a ser oprimido pelo ditador Francisco Franco e o Barcelona começou a perder espaço entre os grandes. Mas em 1958, o clube, através da indicação de Kubala contratou uma dupla húngara de craques: Sandór Kocsis e Zoltán Czibor. Ambos já eram conhecidos mundialmente e na primeira temporada juntos – ao lado do brasileiro Evaristo de Macedo e do espanhol Luis Suárez – o Barca começou a encantar sob a liderança do maestro László.

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Kócsis (esq), Kubala (cen) e Czibor (dir), o trio húngaro do Barça

O craque húngaro é até hoje o único jogador a defender três seleções nacionais. Ele jogou pela Tchecoslováquia, Hungria e Espanha. Infelizmente, por azar da Copa do Mundo, Kubala nunca desfilou seu talento na maior competição do futebol.

Os maiores gênios do futebol mundial se curvaram diante de seu esplendoroso futebol. Púskas, maior jogador da primeira metade do século XX, disse que Kubala estava junto com Di Stefano e Pelé entre os melhores jogadores da época. E, no que diz respeito ao controle de bola, ninguém foi melhor do que ele.

TORCEDORES RIVAIS SE RENDEM A KUBALAMANIA

Recentemente Ronaldinho Gaúcho foi aplaudido por torcedores do Real Madrid durante um clássico contra o Barcelona, no Estádio Santiago Bernabéu, casa dos merengues. Diego Armando Maradona também conseguiu ser ovacionado pelos madridistas. Mas o primeiro a conseguir arrancar admiração dos rivais foi Kubala, no auge da ditadura franquista.

Imaginemos então, se até os torcedores merengues o aplaudiam de pé, imagina então os torcedores do Barça!

Em uma eleição popular, entre os próprios torcedores do Barcelona, Kubala foi eleito o maior jogador do clube, ficando a frente de gênios como Cruyff e Maradona.

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Pela equipe azul grená, marcou 280 gols em 345 jogos e está eternizado em uma estátua na fachada do Estádio Camp Nou, bem na entrada principal, para que todos se lembrem que o majestoso templo do futebol foi feito para honrar o seu gênio húngaro.

CONFIRA VÍDEO ABAIXO

(Por Tony Gabriel e Fillipe Lima)

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