Nostalgia Esportiva
14 de março de 2020 12:00

Sindelar, o craque austríaco que desmoralizou o nazismo

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Sindelar é considerado um dos gênios do futebol mundial no início do Século XX

Ele revolucionou o futebol europeu no início do século XX, foi o líder e o principal craque da seleção da Áustria na década de 1930. Com ele a “Seleção Maravilha” como era chamada, teve o melhor desempenho entre todas as seleções europeias deste período. Grandes adversários como: Escócia, Alemanha e a poderosa Hungria, foram batidas com mais de cinco gols de diferença! O leve, alto e magro “Homem de Papel”, era suave e decisivo. Por vezes centroavante, outras vezes armador, era um ídolo que por vezes arrancava aplausos até da torcida adversária. Seu nome, Matthias Sindelar, o maior futebolista austríaco em todos os tempos.

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Sindelar com a camisa do Áustria Viena

SURGE O HOMEM DE PAPEL

Nascido em Morávia, no império austro-húngaro, em 1903, Sindelar começou sua carreira na equipe Áustria Viena, onde se destacou por ser um centroavante diferente, que voltava para fazer tabelas com os meias, coisa que não era de costume no futebol europeu naquela época. E após ganhar o campeonato austríaco sem muitas dificuldades, e também duas Copas Mitropa (torneio que daria o nome futuramente de liga dos Campeões da UEFA), Sindelar chega à seleção da Áustria em 1926, apelidado de Homem de Papel, por conta de sua elegância em campo e também sua estrutura franzina. Com ele, a seleção bateu gigantes da época com goleadas inesperadas. Sua única derrota foi para Inglaterra em um apertado 4×3. E para coroar a obra do gênio, a seleção austríaca ganhou a Copa Dr. Gero (Torneio Percussor da Eurocopa).

SELEÇÃO MARAVILHA ENCANTA

É chegado então o grande momento, a Copa de 1934, e assim como a Itália (anfitriã), a Áustria também era favorita a conquistar a Taça Jules Rimet. Ambas as seleções fizeram boas campanhas, sendo que a trilha italiana para muitos foi polêmica, enquanto o caminho da Seleção Maravilha não foi tão maravilhoso assim. A Áustria encontrou pela frente grandes seleções como a França e a temida Hungria, realizando assim um dos jogos mais violentos de todas as copas. E mesmo saindo vitorioso junto com a sua seleção, Matthias Sindelar humildemente pediu desculpas aos jogadores rivais.

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Sindelar comandou a Seleção Maravilha na Copa do Mundo de 1934

Ao chegar na semifinal foi o momento de enfrentar “os donos da casa”, os italianos, motivados pela presença de Mussolini, pareciam até imbatíveis, mesmo já tendo perdido antes por 4 a 2 para a “Seleção Maravilha” em um amistoso, com um gol de Enrique Guaita. Todavia, os italianos venceram os austríacos de forma “estranha” e criticada pela torcida, que alegava falta enquanto o juiz apitava gol! Desanimados pela estranha derrota e a contusão de Sindelar, a seleção austríaca fez pouco caso do terceiro lugar contra a seleção alemã, que ganhou o jogo por 3×2.

PROVOCAÇÃO AO NAZISMO

Depois da copa da Itália em 1934, os Alemães desejavam montar um grande elenco, e após remanejar quatro austríacos, eles visavam o craque Sidelar para liderar a sua seleção e assim montar a idealizada “grande Alemanha”. Mas, Sindelar recusou todos os convites. E antes do mundial de 1938, aconteceu um amistoso comemorativo entre as seleções (Alemanha x Áustria) em Viena, onde o resultado foi combinado para ser empate, e por 70 minutos a Áustria deixou a Alemanha mandar em campo, mas nos 20 minutos finais Sindelar marcou o gol e foi comemorar de forma muito intensa na frente dos oficiais nazistas que assistiam o jogo nas tribunas.

Já em 1939, ano em que estouraria a 2° guerra mundial, Sindelar é encontrado morto com sua namorada num apartamento em Viena. O veredicto final apontou suicídio do casal por circunstância da anexação da Áustria pelos nazistas. Mas, muitas testemunhas alegam que o casal foi assassinado por nazistas, principalmente depois de descobrirem que Sindelar era pro-judeu e social-democrata, após numa investigação em sua ficha, em Gestapo.

Hoje Sindelar é visto não somente com um astro futebolístico para os seus compatriotas, mas um herói nacional que amou sua pátria mãe e negou até a morte toda e qualquer submissão nazista. O malabarismo do “homem de papel” atravessou gerações, e não houve ataque, tanques ou bombas que apagassem o brilho de seu talento e a revolução que causou. Hoje seu tumulo é um dos mais visitados do país e símbolo de gratidão para o povo.

CONFIRA VÍDEO ABAIXO

(Por Tony Gabriel)

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