Prefeito de Alagoas denunciado por racismo em ato a favor de Bolsonaro
Prefeito e vice de Boca da Mata são acusados de racismo em manifestação.
O Instituto do Negro de Alagoas denunciou o prefeito de Boca da Mata, Bruno Feijó, e o vice, Sérgio Salvador, por suspeita de racismo. A denúncia ocorreu após uma manifestação pró-Bolsonaro em 29 de outubro de 2026, véspera do segundo turno das eleições. A representação incluiu uma encenação em que um homem negro, identificado como 'petista', foi mostrado de forma estereotipada, levando o INEG a formalizar a queixa à Ouvidoria da Igualdade Racial do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas.
Segundo o INEG, durante a manifestação, homens brancos participaram de um ato onde um dos integrantes oferecia capim a um homem negro vestido com uma camiseta do presidente Lula. A prática, associada ao conhecido blackface, é vista como uma tentativa de ridicularizar eleitores do candidato petista, acendendo um alerta sobre a reprodução de estereótipos racistas.
A denúncia também questiona possíveis demissões de funcionários da prefeitura que teriam manifestado apoio ao presidente Lula, insinuando que a estrutura pública poderia estar sendo usada para constranger trabalhadores baseados em suas posições políticas. O coordenador do Núcleo de Advocacia Racial do INEG, Pedro Gomes, enfatizou que racismo não é aceitável, seja em situações eleitorais ou em outros contextos.
Em resposta às acusações, Feijó e Salvador afirmaram que a pintura dos rostos foi uma referência ao mela-mela, uma tradição do Carnaval de Boca da Mata. Ambos negaram intenções discriminatórias e afirmaram que as demissões e contratações na prefeitura sempre ocorreram de forma regular, sem ligação a posicionamentos políticos.
Racismo em manifestação pró-Bolsonaro em Alagoas
O Instituto do Negro de Alagoas denunciou o prefeito Bruno Feijó e o vice-prefeito Sérgio Salvador, ambos da cidade de Boca da Mata, por suspeita de racismo durante uma manifestação em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O incidente ocorreu no dia 29 de outubro de 2026, na véspera do segundo turno das eleições. A encenação realizada contava com a participação de um homem negro, identificado como apoiador do candidato Lula, sendo conduzido de forma humilhante por homens brancos, que lhe ofereciam capim, reforçando estereótipos racistas.
A prática utilizada foi caracterizada como blackface, que é uma forma de caricatura racial que visa ridicularizar indivíduos negros. A denúncia formalizada pelo INEG alega que a manifestação trouxe à tona a violência simbólica contra a população negra, reiterando a luta contra o racismo, que, segundo a entidade, não pode ser tolerado em nenhuma circunstância, especialmente em um ambiente político como o das eleições.
Pedro Gomes, coordenador do Núcleo de Advocacia Racial do INEG, teve a oportunidade de se reunir com o desembargador Antônio José de Carvalho Araújo, presidente do Comitê de Políticas de Equidade Racial do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL). Gomes enfatizou a gravidade do ato e a preocupação com o uso da estrutura pública para promover comportamentos racistas, o que pode ser configurado como crime eleitoral.
Além das acusações relacionadas ao ato em si, a denúncia abrange também a possibilidade de que três funcionários da prefeitura tenham sido demitidos por manifestarem apoio ao ex-presidente Lula. O INEG questionou se houve abuso da estrutura pública para silenciar vozes contrárias ao governo local.
Resposta do prefeito e vice ao Instituto do Negro de Alagoas
Os gestores municipais, Bruno Feijó e Sérgio Salvador, negaram todas as acusações feitas pelo Instituto do Negro de Alagoas. Ambos alegaram que a pintura dos rostos foi uma homenagem ao tradicional mela-mela, um evento cultural ocorrido durante o Carnaval em Boca da Mata, onde é costume os foliões cobrirem-se com melaço.
Os prefeitos afirmaram que estavam simplesmente participando de uma confraternização em homenagem ao Dia do Servidor Público e que a manifestação realizada não tinha caráter discriminatório. Insistiram que em nenhum momento houve intenção de ofender ou desrespeitar a população negra, atribuindo a acusação a uma má interpretação dos fatos.
Feijó e Salvador também desmentiram a acusação de que teriam demitido funcionários com base em suas preferências eleitorais, alegando que todas as contratações e demissões seguem critérios regulares de gestão e não estão relacionadas a posicionamentos políticos. "As alegações são infundadas e, portanto, nossa reputação está intacta", endossaram os mandatários através de uma nota oficial.
O Instituto do Negro de Alagoas, por sua vez, reforçou que continuará acompanhando o caso e espera que as investigações pelas autoridades competentes sejam realizadas de maneira adequada. Para a entidade, o combate ao racismo deve ser uma prioridade em todos os espaços, especialmente em um período eleitoral, onde as tensões políticas podem exacerbar comportamentos discriminatórios.


