Rede de maternidades de Alagoas é precária, apesar de Renan Filho dizer que estrutura já existe
Maternidades em Alagoas enfrentam precária situação, desafiando afirmações do governo.
Concentração de serviços em Maceió
A rede de maternidades em Alagoas demonstra uma grande concentração de serviços especializados na capital, Maceió. Dados recentes mostram que, dos 44 centros e clínicas que prestam atendimento, 38 estão localizados na capital, o que evidencia a desigualdade na distribuição desses serviços em relação ao interior do estado. Essa concentração significa que muitos municípios ficam desassistidos, dificultando o acesso das gestantes que residem fora da cidade. Este cenário revela um desafio significativo para a saúde materna, onde a presença física das maternidades não garante acesso adequado a um atendimento de qualidade.
Cenário atual da saúde materna
A assistência materna em Alagoas enfrenta sérias dificuldades. Não se trata apenas de ter maternidades disponíveis, mas sim de garantir acesso, recursos e capacidade de atendimento. Com cerca de 80 dos 102 municípios do estado sem leitos próprios para gestação de alto risco, as chances de complicações aumentam significativamente. Isso se torna um fator crítico, especialmente quando consideramos que enfrentar complicações durante a gravidez ou o parto é uma realidade para muitas mulheres alagoanas.
Impacto das declarações de Renan Filho
Durante uma recente entrevista, Renan Filho (MDB) mencionou que o estado já possui uma estrutura adequada e criticou a proposta de seu adversário, JHC (PSDB), de regionalizar o atendimento materno-infantil. Segundo ele, ter maternidades em locais como Porto Calvo e Delmiro Gouveia já seria suficiente para atender a população. Entretanto, essa afirmação contrasta com os dados de assistência que revelam a fragilidade da rede em atender adequadamente as gestantes nas regiões menos favorecidas.
Desafios enfrentados por gestantes
As gestantes que habitam o interior de Alagoas enfrentam múltiplos desafios. A falta de leitos para gestação de alto risco e a escassez de serviços especializados nos municípios criam uma pressão significativa sobre as grávidas, que muitas vezes precisam viajar longas distâncias para obter atendimento apropriado. Além disso, o desamparo em termos de serviços de saúde pode levar a desfechos negativos tanto para mães quanto para os recém-nascidos, exacerbando a situação de vulnerabilidade dessas mulheres.
A importância da regionalização dos serviços
A proposta de JHC de regionalizar a assistência materno-infantil é vista como uma abordagem positiva para enfrentar os desafios da saúde no estado. Regionalizar iria potencialmente melhorar o acesso e a qualidade dos serviços, deslocando recursos e expertise mais perto das comunidades. Essa proposta não só visa facilitar o acesso a atendimento especializado como também busca prevenir complicações que podem resultar em mortes evitáveis durante a gravidez e o parto.
Dados alarmantes sobre mortalidade materna
Os números de mortalidade materna em Alagoas são alarmantes. Entre 2017 e 2025, os óbitos maternos aumentaram de 16 para 33, representando um crescimento de 106,2%. A maioria dessas mortes é considerada evitável, conforme apontado por dados do Ministério da Saúde. Esse aumento significativo reflete a emergência de uma política de saúde que priorize a assistência materna e a necessidade urgente de melhorar a rede hospitalar.
Capacidade de atendimento nas maternidades
A capacidade de atendimento das maternidades em Alagoas é uma questão crítica que precisa ser abordada. Embora existam algumas maternidades, muitas delas não possuem estrutura adequada ou pessoal qualificado para atender a gestantes de alto risco. A Maternidade Escola Santa Mônica é uma das poucas referências para casos mais complexos, mas enfrenta desafios significativos, incluindo falta de recursos e suporte governamental, que comprometem sua eficácia.
O papel da Secretaria de Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde reconhece a problemática da assistência materna no estado e estabelece como necessário o desenvolvimento de uma rede mais organizada de atendimento. A centralização da assistência em Maceió tem gerado um desequilíbrio que impacta negativamente a saúde das mulheres nas áreas rurais. Existem esforços em andamento para melhorar essa situação, mas as mudanças ainda são insuficientes diante da magnitude do problema.
Propostas para melhorar a rede de atendimento
É evidente que Alagoas precisa de uma reforma abrangente em sua rede de maternidades. Algumas propostas incluem:
- Expansão da infraestrutura de saúde no interior.
- Formação e capacitação de profissionais de saúde nas regiões carentes.
- Implementação de programas que incentivem a prevenção e tratamento durante a gestação.
- Maior acesso a recursos e tecnologias para atendimento especializado.
- Criação de parcerias público-privadas para fortalecer a rede de assistência.
Estas iniciativas são fundamentais para reverter o atual quadro da saúde materna no estado e garantir que todas as gestantes tenham acesso a um atendimento de qualidade, independentemente de onde residam.
A necessidade de uma política de saúde efetiva
Por fim, Alagoas demanda uma política de saúde efetiva que priorize o atendimento às gestantes, considerando a realidade local e buscando soluções que integrem as várias esferas da saúde pública. A realidade atual, com altos índices de mortalidade materna e a concentração de serviços na capital, indica que é urgente que medidas sejam tomadas para garantir um atendimento justo e acessível a todas as mulheres, promovendo um futuro mais seguro para mães e bebês no estado.


